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  • Fernando Augusto da Silva

Por que dar o primeiro passo?



Em 1998, eu me formava no colegial (atual Ensino Médio) como Técnico em Processamento de Dados e a única certeza que eu tinha na vida era que não queria seguir essa carreira. Não me via trabalhando o dia todo em frente a um computador, desenvolvendo programas.


Você deve estar se perguntando porque então que eu escolhi essa profissão. Na verdade não fui eu que escolhi, foi o meu pai que enxergou uma oportunidade para mim. E serei eternamente grato a isso.


No início dos anos 90, os primeiros PCs adentravam as casas dos brasileiros, mas ainda era tudo muito caro. Havia uma escola com ensino focado em informática na cidade onde eu cresci, Guarulhos, na grande São Paulo. Eu estudava em uma escola pública desde a primeira série e meus pais resolveram me colocar nesta escola à partir da sétima série.


Quando eu terminei o colegial, meu pai perguntou o que eu iria fazer na faculdade. Eu disse que não gostaria de continuar com informática e que pretendia fazer um curso de fotografia, para me tornar um fotógrafo profissional. Ele disse que eu teria o apoio deles independente do que escolhesse, porém eu deveria pensar com calma, pois um curso técnico traria menos possibilidades de emprego, se comparado a uma graduação.


Esse conselho pesou na minha decisão e o que eu fiz foi: entrei em uma faculdade, peguei o folheto com as informações dos cursos e escolhi um que tinha fotografia na grade curricular, Publicidade e Propaganda. Pensei o seguinte, se for legal eu termino, se não for, eu paro e começo outra coisa. Fui até o fim do curso. Entretanto, nunca trabalhei como publicitário, pois a minha timidez me fazia acreditar que esse mundo não era para mim. Além de me considerar uma pessoa pouco criativa.


Na faculdade, descobri uma profissão totalmente nova para mim, Propagandista de Laboratório Farmacêutico. Haviam uns 12 na minha sala. Me apaixonei pela área. Fiz de tudo para entrar, até que consegui o meu primeiro estágio como Propagandista no segmento médico. Essa foi uma das melhores decisões que eu tomei na vida, pois a timidez sempre me incomodou e foi uma forma de começar a superar esse comportamento. Mas, infelizmente, para trabalhar com vendas e propaganda é preciso maiores habilidades de relacionamento interpessoal. Isso fez com que eu não conseguisse um emprego efetivo neste setor.


Em 2005, mudei para o mercado odontológico, entrando em uma das maiores fabricantes de implantes dentários do mundo. Após dois anos e meio nesta empresa, tive a oportunidade de atuar no mercado europeu, me mudando para Portugal. E foi lá que a minha mente começou a ficar inquieta com relação ao desenvolvimento da minha carreira. Pois, eu estava morando na Europa, com todas as despesas pagas pela empresa e, mesmo assim, eu me sentia frustrado profissionalmente.


Foi então que eu decidi estudar novamente para tentar mudar a minha trajetória profissional. Me matriculei em uma pós-graduação de marketing em Lisboa. Terminei a pós em 2010 e pensei em conversar com o meu gestor sobre uma mudança de área na empresa. Porém, o medo de perder o emprego falou mais alto e não tive coragem de falar nada. Já era o terceiro curso concluído e sem utilidade até então.


Após 4 anos vivendo em Portugal, voltei para o Brasil. Em 2013, tive a oportunidade de coordenar uma equipe de vendas. Mas, mais uma vez, o medo falou mais alto. Pois, quem deu a oportunidade foi a gerente de RH, de outra empresa, também fabricante de implantes dentários. Ela disse que estavam ampliando as equipes comerciais de várias cidades do Brasil e que tinham vagas para vendedores e coordenadores de vendas. Ela disse que pela minha experiência eu já tinha capacidade de coordenar uma equipe e que poderia escolher entre ser contratado como coordenador ou vendedor. Por não acreditar no meu potencial, decidi entrar como vendedor.


Foi então que surgiu uma opção que jamais teria passado pela minha cabeça: ser palestrante profissional. O conselho foi do meu cunhado, um dos maiores palestrantes de vendas do país. Ele sugeriu que eu entrasse no mundo das palestras e treinamentos. Perguntei a ele o que tinha o motivado a trabalhar como palestrante e ele disse que foi porque se sentia mais feliz dando treinamento para os novos vendedores do que vendendo, na última empresa onde trabalhou. Isso me atingiu em cheio, pois comigo aconteceu a mesma coisa. Em Portugal, eu era responsável por dar treinamento de produtos para os novos colaboradores, além de fazer vendas. E os meus dias mais felizes eram quando isso acontecia. Entretanto, eu não fazia ideia de como iniciar uma transição para ser um palestrante profissional. Deixei esse sonho adormecido, pois ainda não sentia a minha autoconfiança nem um pouco suficiente para começar.


Como ainda estava infeliz profissionalmente, decidi estudar novamente. Desta vez, o conselho veio da minha esposa. Pois, ela me sugeriu fazer uma pós-graduação em administração de empresas para conhecer um pouco mais sobre outras áreas, para depois me especializar naquela em que eu me sentisse mais confortável. A minha ideia inicial era fazer outra graduação, desta vez em contabilidade. Porém sem propósito nenhum, apenas com a ideia de olhar para a carreira do meu pai e ver que ele foi bem-sucedido atuando nesta área.


O maior problema é que a minha esposa aconselhou a fazer essa pós na Fundação Getulio Vargas e eu não me sentia capaz de estudar lá. Achava uma instituição muito conceituada para o meu nível. Mas, eu tinha que tomar uma decisão: assumir para ela que não me sentia capaz de estudar lá ou enfrentar esse medo. Fui na segunda opção. E esse foi o divisor de águas na minha vida. Pois, eu percebi o quanto a nossa mente pode ser a nossa melhor amiga ou a nossa pior inimiga.


E essa foto que você está vendo neste artigo, onde estou dando um aula de vendas, é na própria Fundação Getulio Vargas. Um ano depois de ter pisado lá pela primeira vez, acreditando não ter capacidade de ser aluno, fui convidado para ser professor em um projeto social para capacitar micro-empreendedores de baixa renda.


Hoje, consigo viver do meu propósito, que é libertar pessoas que, assim como eu, estavam presas em suas próprias mentes. E o melhor de tudo, consigo aplicar muito do que aprendi em todos esses cursos, para fazer isso.


Não sei quais são os seus sonhos, mas uma coisa eu posso te afirmar, você só saberá se é capaz ou não de realizá-los se você der o primeiro passo.

Fernando Augusto é Coach Especialista em Mercado Odontológico; Master Practitioner em PNL; Pós-Graduado em Administração de Empresas pela FGV e Marketing Management pelo IPAM Lisboa; Graduado em Comunicação Social pela Uninove; Técnico em Processamento de Dados pelo Colégio Eniac; Coautor de 3 Livros: Coaching & Autorrealização, Novo Manual de Coaching e Vendas & Atendimento; Dezessete anos de experiência no mercado odontológico, dos quais, quatro atuando em Portugal na filial europeia da Neodent.

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